Contentamento cotidiano


A sensação de pertencimento e de lar me tomaram hoje cedo, quando eu pendurava roupas no varal.

Quando a gente encontra o CONTENTAMENTO, a gente entende que o contentar-se não está ligado apenas a momentos que chamamos de “espirituais”. Eu posso lavar banheiro e ser plenamente feliz. Posso desempenhar qualquer tarefa e me encontrar com a satisfação enquanto trabalho. Porque não depende do lugar geográfico onde estou, mas do estado do meu coração. Não depende do que faço, mas de quem eu sou. Eu sou FILHO de um Pai presente!

Abraçado pela Alegria e preenchido pelo contentamento, joguei um beijo pro Pai, agradeçendo a Ele por ter me libertado dos sofismas do serviço.

{b.a}

Primeiro me Amou


Nós andávamos sujos, presos em correntes de pecado, rodeados pela escuridão. Este era o nosso estado. Até que um dia O amor – que é uma PESSOA – nos alcançou, nos atraiu com cordas fortes (cordas de amor) e refez a nossa rota, nos dando novo DESTINO. Hoje nós podemos ir direto ao Trono de Deus – a qualquer hora – sem nenhuma condenação. Por causa de Jesus, a gente pode entrar e habitar neste lugar, ficar lá e curtir a Presença do Papai! Ô maravilha de vida!!!

A vida normal e o estragamento


Deixamos o sertão ontem e parece que há uma espécie de “buraco” em nós… É a mistura do corpo cansado, da alma agitada que se envolve e que depois tem que “deixar”, e do senso de estranheza recorrente que confronta o que chamamos de voltar para a “vida normal”. Que vida normal? Encontros com o coração de Deus nos mostram que a vida normal não é esta que se envolve esporadicamente, ou de vez em quando, nem “quando der…” – isto, é a vida anormal. Que Deus nos livre da letargia e da indiferença de sermos anormais.

A vida normal é a que usamos diariamente para gastar com os negócios e interesses do Pai, com os sonhos dEle. É deixar-se estragar e não prestar para mais nada, se não para uma coisa só, ou melhor, PARA UM SÓ. Eu decidi que quero viver estragado!

{b.a}

Uma noite memorável!


Ontem eu tive o grande privilégio de ser o orador da minha turma e representá-los na formatura. Entre lágrimas, sofrimentos e fortes emoções desta semana, esse texto foi literalmente exprimido de dentro de mim. É muito diferente quando algo é gerado com dores, é uma espécie de parto que gera vida e alegria após o nascimento. Compartilho com vocês o meu discurso, pra que a gente sempre se lembre daquela noite memorável:

Em 2015 vários lugares do Brasil, 26 jovens estavam recebendo o e-mail que mudaria a vida deles para sempre, o e-mail da Fatinha, que dizia: “PARABÉNS! Você está OFICIALMENTE SELECIONADO para o CPP/2016!”

Por causa deste e-mail tão esperado, deixamos casa, família, emprego, conforto, dinheiro e segurança, partimos para uma jornada completamente desconhecida. Ouvimos muitas vozes pedindo-nos para voltar atrás, elas diziam que essa decisão era muito radical, e que que seria desperdício. Focados na Voz Maior e Soberana, seguimos com firmeza para o nosso destino: Monte Mor.

Nosso coração acelerou na estrada de terra. A ansiedade veio com várias perguntas: “O que acontecerá?” “Como vai ser?” Parecia uma eternidade chegar… Pensamos: “Não tem mais jeito de desistir! Estamos no meio do mato.”
Ao descer a rampa de entrada da chácara, uma faixa estendida dizia: “Sejam Bem Vindos. Você nasceu para esse tempo!

Arruma daqui, ajeita dali, pergunta o nome de um e o nome do outro. Esse foi o nosso primeiro dia.

01 de Fevereiro de 2016, era o nosso segunda dia na chácara. Às 09:00hs da manhã recebemos uma convocação: “Todos na sala de aula!” Subimos meio inseguros sem saber o que aconteceria. Já na sala de aula toda a equipe estava nos esperando, e nós – os alunos – nos sentamos para ouví-los. Cheios de expectativas para o que viria à frente de todo aquele ano, ouvimos o Haroldo orar: “Que as engrenagens do nosso ser comecem a se mexer por causa da Sua Palavra”.

E foi exatamente o que aconteceu com cada um de nós durante este ano: Todas as engrenagens do nosso ser e nossas estruturas interiores passaram a movimentar-se à medida que expúnhamos o nosso coração à Palavra, à oração, à confissão, à cada aula e a comunhão.

Nosso caráter começou a ser trabalhado. Por meio do Espírito Santo e por meio da Igreja fomos morrendo (“se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto”). Morte diária e gradativa… Até que pudéssemos estar completamente rendidos e entregues, como um um sacrifico vivo, uma oferta agradável à Ele.

Mergulhamos profundamente nas escrituras, oramos juntos todos os dias, brigamos e nos perdoamos, ceiamos juntos, brincamos juntos, choramos juntos. Tivemos crises e quisemos desistir, mas não desistimos porque encorajáva-mos sempre uns aos outros. Aprendemos a servir, a abrir mão da subjetividade, e a considerar o outro como superior.

Mas o CPP é mais que uma escola teológica, porque lá não se aprende só Teologia, se aprende a viver a vida normal, a vida cotidiana com excelência.

Aprendemos que “Nós somos seres espirituais, que varrer calçada é tão espiritual quanto tocar guitarra”. Aprendemos a praticar a cultura de honra. Aprendemos que “Deus é limpo, cheiroso e organizado”. Aprendemos que “O Bullying é altamente corrosivo ao Corpo”.

Também aprendemos a lavar uma panela… como nunca antes. “Padrão FIFA!”.

Aprendemos a cortar grama, a cozinhar pra muita gente. Ah! Teve gente que aprendeu a descascar bacias e bacias de alho (rs). Aprendemos a organizar o nosso guarda-roupas, como diria nosso querido monitor, o Rafa: “Se você organiza seu guarda-roupas, Deus pode te dar uma cidade para organizar”.

Aprendemos que não existe feminismo e machismo, mas complementarismo. Assim, derrubamos as barreiras de inimizade que haviam entre nós.

Não podemos encerrar esta noite sem agradecer aos nossos monitores:

Tati, Ana Paula, Rodolfo, Cyro, Rafa e Camila – Nada disso seria possível sem vocês. Nós estamos aqui para dizer que valeu a pena todo o esforço de vocês! Afirmamos que vocês são “PARTEIROS”do Reino, empurrando-nos para fora e nos ajudando a nascer para os propósitos de Deus.

Nossa gratidão aos nossos professores: Haroldo, Harlindo e Eliza, Ângelo, Carol e Camila, Pedro Arruda, Guilherme, Cyro, Vitor, Tati, Ana Paula, Fernanda, Camila e Rafê, Paulo e Ivo.

Ao Seu Roberto, nossa turma gostaria de homenageá-lo com o nossa profunda gratidão pelo seu envolvimento pessoal com cada aluno e acompanhamento do nosso desempenho, por cada oração e período de jejum… Sempre acreditando no nosso potencial, extraindo de nós o nosso melhor, e destravando o nosso destino. Por mais um ano você foi um instrumento de lapidação para pedras preciosas. Amamos você!

E como não citar a preciosa Fatinha, que nos trouxe a melhor notícia do ano. Seu serviço e seus e-mails carinhosos nos constrangem de tanto amor.

Alguém pode estar se perguntando: “Separar um ano inteiro para Deus? Não seria exagero ou perda de tempo?” Para responder a tal pergunta, tomo a liberdade de fazer uso das palavras da Eliza:

“Gostaria de dizer que separar um ano para conhecer mais de Deus não deveria ser algo para você duvidar se vale a pena. Acho que todos que tem a possibilidade deveriam fazer o CPP, pois é um ano onde encontros com Deus vão acontecer em uma frequência e intensidade que não são possíveis em outro contexto. E isso é vida. Conhecer a Ele é vida. Nada mais importa. Jesus é o sentido de tudo. Neste mundo caótico, diante do tédio da vida e em meio ao sofrimento humano, Jesus é o único que dá sentido à tudo. Que homem fascinante… Se você não fez CPP, deveria fazer, não se trata de conteúdo, mas de experiência. Se você já fez, deve continuar buscando com todo seu coração ENCONTRAR com Ele.

Sobre nossa necessidade de ter encontros com Deus: Ele é a Pessoa mais interessante que existe, e encontrar com Ele nos coloca na perspectiva correta para viver a vida. Dependemos disto.”

Também queremos dizer que cada aprendizado está sendo carregado para a nossa vida daqui em diante. Queremos nos comprometer com Deus e com todos os que estão aqui nesta sala:

Nós nos comprometemos a sermos íntegros. Nos comprometemos a dar espaço para Deus e crescer em oração, prosseguindo no conhecimento de Cristo. Continuaremos nos dedicando ao conhecimento da Palavra e ao conhecimento do plano de Deus, posicionando-nos assim da maneira correta para cooperar com o Seu propósito para a Terra. Nos comprometemos a sermos uma voz para esta geração. Nos comprometemos a usar os nossos dons para servir e edificar o corpo. Continuaremos contando com a graça, nos esforcando diariamente para alcançar o padrão da medida e estatura de Cristo.

Abraçaremos o sofrimento com propósito e defenderemos a Verdade, ainda que nos custe a vida. Continuaremos desequilibrados, necessitando SEMPRE do equilíbrio da Igreja.

O fruto do trabalho de vocês é Cristo sendo formado em nós.

Vocês se lembram das vozes que nos disseram para voltar atrás? Que acharam nossa decisão radical demais? E que acharam que tudo seria desperdício? Então, em partes eles estavam certos – com exceção de voltarmos atrás – porque nós não somos daqueles que retrocedem.

Quanto a decisão, ela é mesmo radical… Alguém pode me explicar como jovens de diversas partes do Brasil podem escolher morar no meio do mato, sem internet, e com um monte de gente que nunca viu na vida? Em nosso caso, a radicalidade nos empurrou para o nosso Destino!

E quanto ao desperdício, eles também estavam certos. Nós nos desperdiçamos sem nenhum tipo de economia. O que eles não sabiam era que o que para eles é só desperdício, para nós, é investimento.

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor…” (Marcos 1:3)

Vinte e dois precursores estão prontos para prepararem o caminho do Senhor. Estão prontos para trabalharem pela Causa Maior: O retorno de Jesus à Terra.

Porque Quem causa, tem uma Causa.

26 | nov | 2016

{b.a}