Abraçado pela Fidelidade


© Bruno Alves Alma bagunçada. Fadiga ao extremo. Preocupações exacerbadas e questionamentos que parecem não ter fim. Demandas intermináveis e senso recorrente de não dar conta. Orgulho, apatia e frieza. Insonia e mente cansada.

Deitado sobre a cama, pergunto à mim mesmo e também Àquele que me criou:

“O que está acontecendo aqui?”.

“Você foi fazendo as coisas sem mim”, disse Ele.

Entendo que preciso parar e ajustar o foco. Deixo de olhar pra mim. Comando a minha alma. Paro de dar vazão aos meus sentimentos. O que sinto não é a verdade. Olho para o livro preto e o abro. Aproveito e exponho o meu coração à ele.

Sou levado aos registros de Ezequiel, em uma alegoria da “Jerusalém Infiel”. Encontro-me diante de linhas vivas e cortantes. Agora estou dentro da história. Ele está falando sobre mim mesmo.

Tu passaste por perto da sujeira na qual eu me revolvia e me VISTE. Ninguém olhou para mim com piedade e compaixão. Ninguém, exceto Tu.

Meu olhar é voltado com muita atenção para a palavra “VI” – quando Ele diz: “passei por perto e VI você”. Descubro que “ver” aqui, não é olhar. Sua raiz primitiva me diz que o Senhor me PERCEBEU, me EXAMINOU, me CONSIDEROU e TOMOU CONTA de mim.

Sou tomado de arrependimento… Como podes Tu me desejares assim, enquanto eu ainda estava envolto em minha sujeira e mau cheiro? Fui jogado fora e em desprezo, eu estava nu. Contudo, Tu cobriste a minha nudez com sua própria capa. Não obstante, fizeste uma aliança comigo e eu me tornei seu, como me disseste.

Sou eu a “Jerusalém Infiel”. Óh, que paradgma! A infidelidade sendo abraçada pela própria FIDELIDADE.

Tu me cercas com GRAÇA (favor que não mereço) e me estendes Tua MISERICÓRDIA (não me dando o que mereço). Tu te lembras da Tua aliança que fizeste comigo, e por causa de Ti mesmo providenciaste propiciação em meu favor.

Minha alma já não está mais bagunçada. A fadiga que me consumia cessou. Onde estão as preocupações exacerbadas e os questionamentos que me pareciam não ter fim? Me parecem que se foram, como que num “passo de mágica”. E quanto as minhas demandas intermináveis e senso recorrente de não dar conta? É porque as prioridades estavam invertidas.

Toda aquela confusão da alma foi embora. Sou tomado de fé, coragem e alegria. Já não penso mais como outrora. Sou alinhado.

Não quero mais fazer as coisas sem Ti. Esta independência me trouxe morte e separação. Quero a Tua Companhia em tudo. E estou feliz pelo fato de que Tu, meu Senhor, também desejas tanto estar comigo.

{b.a}

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