Terapia com Nouwen


Ler Nouwen é como uma terapia. Ler Nouwen é chorar e sorrir. É perturbar e orar. Cada linha uma emoção. Quem conhece a biografia sabe da sua humanidade e fragilidade. Abre mão do “status Harvard” para estar com os pobres. Está mais preocupado com a vontade de Deus do que com sua reputação. Talvez o que mais me faça “encantar” seja isto: a transparência de alguém que é TOP para os outros – Que em contra partida possui uma humanidade sofrida e expõe suas mazelas.

Os que dele se aproximavam podiam ver Jesus. Mas não podiam imaginar que nos bastidores de sua vida haviam crises e questionamentos, um estilo de vida que o fazia desesperar em busca da vontade de Deus.

No momento estou lendo “Compaixão” – obra absurda que me ensina, mexe “latentemente” e me faz descer ao estado de normalidade vivido por Jesus. Sem dúvida esse cara é meu autor favorito!

Esta semana a Ariadna me fez um favor: Reuniu alguns textos de Nouwen e fez uma “ENTREVISTA” com ele (rs). PENSE na minha felicidade! \o/

Aí vai:

“Eis uma das últimas conversas, onde eu o entrevisto para meu próprio benefício. Beba, se sua necessidade de medicina da pessoa estiver latente!

Então você também viveu uma crise ministerial?
HN: Sim, quando fui chamado para ir a Yale eu tinha 40 anos, e meu mentor disse que eu poderia ficar lá alguns anos, fiquei dez anos. Estava indo bem no que tangia às minhas ambições, mas comecei a questionar se realmente estava fazendo a vontade de Deus.

Quando sentiu isso, como conversou com Deus sobre o assunto?
HN: Eu orei e disse: Deus, você sabe o que devo fazer. Diga-me e eu o seguirei. Irei aonde você quiser. Mas você precisa ser muito claro a respeito.

O que aconteceu em seguida?
HN: Bom, eu tive a sensação de que deveria ir à América Latina e trabalhar com os necessitados. Deixei minha carreira de professor em Yale e comecei a me preparar para uma peregrinação até a Bolívia e o Peru. Meus amigos questionavam se eu estava tomando a decisão certa. Não tive muito apoio. Logo descobri que ser um missionário na América Latina não era minha vocação. Era difícil estar lá. As pessoas eram boas comigo, acolhedoras, notavelmente hospitaleiras. Mas Deus não me chamava ali. Eu estava lá obrigado.

Como se desligou?
HN: Um amigo latino me disse: Faça a missão reversa para o primeiro mundo, a partir do terceiro mundo e escreva. Foi o que eu fiz, voltei e Harvard me chamou para integrar a faculdade. Tentei ensinar sobre as lutas espirituais do povo latino e a necessidade de justiça social, mas meus alunos sentiam uma enorme necessidade de falar sobre oração e contemplação, vida espiritual interior e o ministério.

Você se encontrou em Harvard?
HN: Eu gostava de ensinar lá e fiz grandes amigos lá. Ao mesmo tempo, não sentia que Harvard era um lugar seguro para mim. Era muito pódio, muita publicidade, público demais. Muita gente vinha ouvir em busca de compreensão intelectual, em vez de insight espiritual. Era um lugar intensamente competitivo, um campo de batalha intelectual, não era um lar. Eu precisava de um lugar onde pudesse orar mais, de uma comunidade onde a minha vida espiritual se aprofundasse no relacionamento com os outros.

Como lidou com isso?
HN: Foi uma decisão difícil deixar Harvard, eu tinha medo de estar traindo a minha vocação. As vozes exteriores diziam: Você pode fazer tanto bem aqui. As pessoas precisam de você! As vozes interiores diziam: Que bem faz pregar o evangelho aos outros enquanto se perde a própria alma?
Finalmente eu percebi que a minha crescente escuridão, meus sentimentos de rejeição, minha necessidade excessiva de afirmação e afeto e meu profundo senso de estranheza eram sinais claros de que eu não estava seguindo o caminho do Espírito de Deus.

– E você agiu?
HN: Sim! Assim que deixei Harvard, senti tanta liberdade interior, tanta alegria e energia nova que poderia olhar para a minha vida anterior como uma prisão na qual eu havia me trancado. Não sabia aonde ir, então fui para L’Arche, uma comunidade para pessoas com deficiências especiais. Passei um ano lá para discernir o meu chamado, até que finalmente me mudei para lá e gradualmente L’Arche tornou-se a minha casa. Nunca sonhei em minha vida que homens e mulheres com deficiência mental seriam aqueles que colocariam as mãos sobre mim em um gesto de benção e me ofereceriam um lar.

O que foi mais significativo para você no processo de mudança?
HN: A volta ao lar espiritual, percebi que a abraço do Pai tornou-se muito real para mim nos abraços daqueles que são física e mentalmente pobres!

Qual a marca deixada por Deus em seu interior em todo esse processo?
HN: Aprendi que em minha vida de comunidade, eu faço exigências tão grandes às pessoas que ninguém é capaz de cumpri-las – exigências emocionais e expectativas das quais não tenho total consciência. Espero que alguém afaste a minha solidão. Espero que essa pessoa me proporcione a sensação de estar em casa. Espero que, por vivermos juntos, tudo será alegre e prazeroso… Quando as minhas expectativas não se concretizam, sou deixado, sentindo-me triste, sozinho e deprimido. Então retorno à oração e à necessidade de direção espiritual em minha vida espiritual e em meus relacionamentos em comunidade. Sou lembrado do quanto é importante que a solitude anteceda a comunidade, quando a solitude é abraçada, aprendi que o perdão e a celebração podem vir a caracterizar a comunidade autêntica, até mesmo com os seus desafios.

Suas palavras finais em nossa conversa de hoje?
HN: Vou deixar uma antiga lenda do Talmude: O rabino Yoshua ben Levi perguntou a Elias, o profeta:
Quando o Messias virá?
Elias respondeu:
Vá até ele e pergunte.
Onde ele está?
Sentado nos portões da cidade.
Como o reconhecerei?
Está sentado entre os pobres, coberto de feridas. Os outros desenfaixam todas as suas feridas ao mesmo tempo e depois as enfaixam de novo. Mas ele desenfaixa uma de cada vez e a enfaixa de novo, dizendo a si mesmo: “Talvez possam precisar de mim, se isso acontecer, devo estar sempre pronto para não me atrasar nem por um momento”.

Ariadna de Oliveira

Fonte: Escrevivendo

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