Eu quero terminar bem


© Bruno Alves

Tenho pensado sobre a brevidade da vida, pois os dias aqui em baixo são bem curtos. As escrituras afirmam que “os dias de nossa vida sobem a setenta anos, ou a oitenta” (Salmos 90:10).  Tenho pensado sobre como estou vivendo esta brevidade que é como uma neblina que aparece por um instante e logo desaparece (Tiago 4:14).

Tenho pensado sobre como vou envelhecer… Não quero ser um velhinho cheio de culpa, que chega ao final da vida amargo e arrependido por não ter feito mais. Ou pior, se sentindo culpado por não ter cumprido minha vocação e chamamento.

Eu quero me gastar enquanto há vigor, energia e saúde, porque ao homem foi ordenado viver uma vez só (Hebreus 9:27), portanto, não terei outra chance. Eu quero me gastar agora, porque agora é hora de me gastar, visto que não sei nada sobre o dia de amanhã (Mateus 6:27).

Eu quero ter foco. Quero focar no Foco, que é Eterno.

Tenho pensado em chegar bem, no final. Chegar bem é ter vivido de forma obediente, seguindo as ordenanças Daquele que tudo conhece, inclusive o futuro. Chegar bem é respirar aliviado entendendo que não vivi como “mandou o meu próprio nariz”, mas como ordenou o meu Mestre. Chegar bem é compreender que investi mais tempo em pessoas, do que em coisas. Paulo foi um cara que chegou bem (2 Timóteo 4:7).

Não quero dar “picado”, nem migalha. Pela Causa, não me economizo para satisfazer Aquele que eu amo, porque nem Deus economizou – Antes, deu tudo o que tinha (João 3:16).

Agora é a hora de me doar por inteiro sem me distrair com as vozes que dizem “isso é desperdício”, “você é tão jovem”… São essas mesmas vozes que há quatro anos atrás me diziam para não me lançar. Elas não entendem. E talvez nunca entenderão, porque estão vivendo para si. Só. No meu plano de vida, quero viver para os outros e, enquanto vivo, inclino para Ouvir (prestar atenção) a Voz que sempre fala e me conduz para o que é Bom, Legítimo, Eterno e Verdadeiro.

Não quero perder tempo. Antes, desejo aproveitar ao máximo cada um deles (Eclesiastes 3:1-8). Por que cada tempo desse, me ensina, me molda, me amadurece e me assemelha ao Cristo com Quem tanto desejo parecer.

Não quero ser como Sansão, que se distraiu e se perdeu no caminho.

Não quero um fogo de moda, que vem e passa. Eu quero viver queimando e permanecer até o fim. Permanecer até o dia em que finalmente encontrarei com Aquele que tanto quero ver, junto com todos aqueles que amam a sua vinda (2 Timóteo 4:8). O dia bendito que deixarei de vê-Lo como em espelho (I Coríntios 13:12) para vê-lo face a face.

Estou vivendo o agora de olho no Meu Futuro (que é uma Pessoa). Viver assim me traz alegria e esperança do final. Final que para mim será começo.

Eu quero terminar bem. E você?

{b.a}

Profundamente arraigado em Deus


© Bruno Alves

“Árvores que crescem altas têm raízes profundas. Grande altura, sem grande profundidade, é perigoso. Os grandes líderes deste mundo, como São Francisco, Gandhi e Martin Luther King Jr, eram pessoas que podiam viver com notoriedade pública, influência e poder de forma humilde em função do aprofundamento espiritual.

Sem raízes profundas facilmente deixamos que os outros determinem quem somos. Ao nos agarrarmos a nossa popularidade, podemos perder o sentido de nós mesmos. Nosso apego às opiniões de outros revela quão superficial somos. Temos pouco em que nos basear, e nos mantemos vivos pela adulação e elogios.

Aqueles que estão profundamente arraigados no amor de Deus podem desfrutar o elogio humano sem que estejam presos a ele”.

 Henri Nouwen

Ribeirinhos


Vinte horas de viagem entre avião, ônibus, barco, moto, esperas, risadas e cantorias. O calor se misturava com o cansaço. Mas o clima que fazia do lado de dentro (em mim) era diferente. Embalados pelo barulho do motor do barco, seguimos viagem rumo ao nosso destino inicial: São Sebastião do Uatumã/AM. Sobre o cenário escuro, sentei-me para escrever tudo o que eu estava sentindo… O escuro ao redor era iluminado apenas pelo céu estrelado (e QUE céu estrelado!). Havia contentamento. A felicidade queria diminuir logo as horas no rio escuro… Ela parecia que queria sair correndo feito desesperada “só” para abraçar gente.

Ouço um grito: “ESTAMOS CHEGANDO!” Toda a equipe corre para a proa do barco!!! O cenário escuro de repente começa a ganhar cor. Distante, avisto luzes. O coração dispara e pensa: “É verdade, mesmo?” (Eu não sabia se orava, se fotografa, se filmava, se ria ou se chorava…) O barco se aproxima da margem… Quanto maior a aproximação, maior o disparo do coração.

© Bruno Alves

Nossa primeira visão: De longe avistamos São Sebastião do Uatumã! :)

Deus me permitiu ABRAÇAR e olhar nos OLHARES, ELE achou NOBRE dividir a dor do Seu coração comigo, e eu amei aliviar esta dor. ELE pintou um céu estrelado que não me deixava dormir. ELE ALARGOU meu coração e eu EXPERIMENTEI a URGÊNCIA do chamado com mais intensidade. O ROGAR (ao Senhor da seara que ENVIE TRABALHADORES para a Sua seara) pareceu-me tão vivo e latente. Bem aqui dentro, o comprometimento com esta oração, GRITA sem cessar (e eu não quero que me deixe NUNCA mais).

© Bruno Alves

Comunidade Jacarequara (muito amor envolvido).

© Bruno Alves

O rosto do “Seu Armando”, e sua história…

Eu pisei na terra que sonhei. Estive com o povo que orei. Deus me presenteou com rostos e histórias que faço questão de carregar comigo. Estou em casa, mas meu coração ainda está lá.

A estranheza do retorno confirma o fato de que Cristo me estragou para o mundo. Eu quero VIVER estragado. A vontade de gastar a vida (SEM ME ECONOMIZAR), aumenta.

{b.a}

“Você pode aliviar a dor do coração do Pai…”


Era 30 de Maio de 2014 – Na ocasião eu estava completando 28 anos.  Uma amiga missionária profundamente envolvida com a tarefa (da proclamação) veio até a mim e me deu um presente dizendo: “Este é um presente muito significativo. Mas você só deve abrí-lo quando chegar em casa”. O caminho de volta pra casa pareceu-me longo e distante. Na “cachola” do ser humano havia curiosidade e algumas perguntas… Que presente é este? Porque eu só devo abrí-lo em casa? O que pode ser tão significativo?

Ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi abrir o tal presente. Era uma foto linda (ampliada) do Rio Amazonas. Linda mesma! Colorida, cheia de vida e comunicativa. Na foto, o sol brilha sobre o rio, e isto me remetia (e me remete) ao entardecer que eu AMO. A foto tirada pela própria missionária já era linda de se ver e de sonhar, de observar (prestar atenção) e de admirar – uma foto e muita poesia! Junto à foto havia um bilhete escrito a mão. Um texto simples, e curto, que dizia:

“Quero “cutucar” seu coração acerca dos povos ribeirinhos! Ao olhar para esse “lugar de habitação” desses povos, pense em dois aspectos: 1) O rio tranquilo e misterioso esconde em sua margem gente sofrida e sem Deus! 2) Você é alguém que pode aliviar a dor do coração do Pai acerca desses povos! Pense, ore e envolva-se”.

Terminei de ler o bilhete sorrindo… Dobrei e guardei. Desde esse dia, passei a orar por um povo que eu não conheço. De maneira gradativa o Senhor me levou a amá-los. Ele me levou a se importar. Quando percebi, eu já havia passado pelos três estágios do bilhete significativo: pensar, orar e se envolver.

Orei pelos Ribeirinhos sem nunca se quer sonhar que um dia eu poderia estar lá. Apesar do envolvimento através da oração, pensei que Deus queria apenas um intercessor que se colocasse na brecha em favor do Seu povo (e isto já seria suficiente). Mas O SENHOR em Seus planos incríveis havia decidido me surpreender e me maravilhar… Um ano depois Ele quis me enviar pra PISAR e expiar a TERRA! (E lá vou eu com tanta alegria!!!) :)

Bem, é real. Estou a menos de 24 horas da viagem (rindo e chorando). Apenas um avião, um ônibus e algumas horas de barco me separam do povo amado que eu tanto quis (e quero) conhecer, abraçar e servir.  O sonho gerado em oração, agora, NÃO É MAIS SONHO! Estou indo ali (feliz) aliviar a dor do coração do meu Pai!

Deus tem suas conexões através de pessoas que entram ou passam em nossas vidas e nos lesionam de alguma forma. A foto do rio se tornou mesmo significativa – uma marca em minha história. E o bilhete, é o registro do início de uma história.

Que NOBRE trabalho é o de poder me gastar pelo Rei e pelo Reino.

{b.a}

Diga ao Francis que sinto falta dele


As inquietações sinalizavam que algo estava errado. Então parei pra conversar, pra falar tudo! Disse pra Ele sobre como me distraio fácil e como negligencio o que é eterno e me perco no temporal, sobre como vivo protelando e invertendo prioridades. Falei como alguém que está cansado de ser assim. Houve silêncio. De súbito, a Paz manifestou-se no ambiente desfazendo toda culpa – Era Ele. Não, Ele não veio esbravejar. Abraçou-me. E sem verbalizar nenhuma palavra, o abraço da Paz me amou dizendo três frases que me atravessaram e atingiram o centro do coração: “Eu estou com saudades. Você está envolvido com tudo, menos Comigo. Volte para mim!”.

Quase 24 horas depois, eu ainda permaneço vivendo aquela atmosfera e sentindo aquele gosto da eternidade. Hoje encontrei um texto que falou-me tanto ao coração, como no episódio de ontem. Vale a pena ler! Quero dividí-lo com você:

O alvo mais alto de Deus para nós é que entremos na sua presença e permaneçamos lá – mas esta é justamente a coisa contra a qual Satanás luta com mais intensidade. A natureza desta batalha não é discernida facilmente. O inimigo não aparece com semblante feroz, nos ameaçando com represálias, quando começamos a buscar a Deus. Satanás é muito mais sutil. Ele nos distrai com as coisas boas das bênçãos de Deus para fazer-nos perder o melhor presente de todos – a presença de Deus.

Nossa natureza carnal proporciona ao diabo um cúmplice disposto. Salomão observou: “Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios” (Ec 7.29). Nossos “muitos artifícios”, aparelhos engenhosos e tecnologias, apesar de toda a conveniência que nos providenciam, não nos sustentarão nos dias porvir.Simplesmente não haverá substituto para Deus. Em vez de ter corações cheios de Deus, entretanto, estamos freqüentemente cheios de desejos das coisas desta vida.

Jesus advertiu: “Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra” (Lc 21.34-35).

Muitos cristãos estão sendo contaminados e sugados pelas atrações e excessos de nossa sociedade próspera. Ah sim, a maioria destas coisas não são intrinsecamente más, especialmente quando usadas com moderação. O engano está em nossa definição de moderação; pois o que nos parece um estilo de vida modesto seria excesso e luxo para 90% do mundo.

Procurar os prazeres deste mundo pode se tornar intoxicante. É uma área onde a atividade de Satanás é freqüentemente mais velada. Ao invés de buscar a Deus e nos tornar disponíveis para sua vontade, muitos de nós estamos emaranha dos em dívidas e desejos. Como os babilônios antigos, moramos numa “terra de imagens, e pelos nossos ídolos tornamo-nos loucos” (Jr 50.38 -parafraseado).

Muitos cristãos estão presos num labirinto de distrações. Estamos tão acostumados com idolatria que não a consideramos estranha! Nós até chamamos nossos heróis nos esportes ou no cinema de “ídolos” e não achamos nada errado quando estes indivíduos são “idolatrados” por milhões de seguidores. Entretanto, tudo que idolatramos no fim acabarádemonizando nossas vidas.

No meio da prosperidade da sociedade em que vivemos e da multidão de distrações que ela oferece, o Senhor quer que caminhemos com uma única mente para a glória dele. Podemos fazer isto? Sim, mas talvez precisemos nos livrar de nossas televisões, ou pelo menos jejuar delas por algum tempo. O grau de nossa dificuldade em desligar a televisão é a medida de nossa escravidão a ela. Se não conseguimos abrir mão dela, é porque somos seus escravos.

Em uma terra onde excesso, ambição e inveja são os conselheiros dos homens, somente aqueles que permanecem na simplicidade de Cristo são verdadeiramente livres. Temos que escolher a presença de Deus como nossa porção na vida.

Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). Ser pobre de espírito é estar livre de cobiça escondida; é ver e possuir o reino dos céus.

Se você verdadeiramente está livre de cobiça -se você não se curva diante de Mamon (riquezas -Mt 6.24) – Deus começará a conceder-lhe a riqueza dele. Se seu coração verdadeiramente se tornar possessão do Senhor, ele começará a lhe confiar as possessões dele, tanto celestiais quanto terrenas. À medida que você se torna escravo de Cristo, a terra será sua escrava e produzirá seus recursos para os propósitos de Deus.

Se Satanás não conseguir distraí-lo com mundanismo, ele tentará desgastá-lo – usando até as boas obras que faz para o Senhor como um meio de esgotar sua energia. De fato, Daniel fala que no tempo do fim o inimigo tentará “esgotar os santos do Altíssimo” (Dn 7.25 – Tradução literal da versão KJV em inglês).

Deus nunca quis que fizéssemos a vontade dele sem sua presença. O poder para realizar o propósito de Deus vem da oração e da intimidade com Cristo. É aqui, fechado a sós com Deus, onde encontramos uma fonte sempre nova de virtude espiritual.

Quando meu ministério começou, o Senhor me pediu para consagrar-lhe totalmente meu tempo desde a madrugada até ao meio-dia. Gastei estas horas em oração, adoração e o estudo da sua Palavra. Muitas vezes eu adorava a Deus por horas e escrevia canções a ele que vinham deste maravilhoso santuário de amor. A presença do Senhor era meu deleite, e sei que meu tempo com ele não só foi bem gasto, mas agradável a ele e a mim.

Porém, à medida que minha vida começou a produzir o fruto da influência de Cristo, o Espírito Santo me trazia pessoas que precisavam de ajuda. A fim de satisfazer as necessidades delas, acabei cortando quarenta e cinco minutos do final do meu período devocional. As demandas do ministério também começaram a estender até altas horas da noite, e deixei de levantar tão cedo quanto costumava.

A qualidade do restante do meu tempo com o Senhor começou a ser corroída pelos cuidados do ministério. Problemas de crescimento da igreja, a necessidade de treinar pessoas para o ministério e um número crescente de pedidos por aconselhamento e libertação comprimiram o já limitado tempo que eu tinha para intimidade com Deus. É claro que estas mudanças não aconteceram de um dia para o outro, mas os meses e anos de sucesso crescente estavam constantemente corroendo minha vida devocional. Por fim descobri que estava com um ministério cada vez maior mas com uma unção por trás dele cada vez menor.

Um dia recebi um telefonema de um intercessor que orava regularmente por mim. Ele me contou que durante a noite o Senhor lhe falara num sonho a meu respeito. Eu estava ansioso para ouvir o que o Senhor tinha falado a meu amigo, pensando que talvez ia aumentar o alcance do nosso ministério ou talvez prover algumas finanças necessárias. Pedi-lhe que me contasse o sonho.

O que o Senhor disse não tinha nada a ver com as coisas que estavam consumindo meu tempo. Ele simplesmente disse: “Diga ao Francis que sinto falta dele”.

Ó, que fardos carregamos e que cansaço acumulamos quando negligenciamos o privilégio de passar tempo diariamente com Jesus. Chorei enquanto me arrependia diante do Senhor, e ajustei minhas prioridades. Parei de aconselhar as pessoas pelas manhãs. Voltei a passar esse tempo com Deus.

Embora soubesse que esse passo era necessário, pensei que possivelmente perderíamos algumas das pessoas que tinham chegado à igreja recentemente. Eram pessoas que tinham vindo especificamente para receber ministração pessoal. Eu sabia que não teria o mesmo tempo para elas como antes, mas tinha que dar prioridade há meu tempo com Deus.

No domingo de manhã seguinte anunciei à congregação que minhas manhãs seriam consagradas a Deus. “Por favor”, eu disse, “nenhum telefonema ou aconselhamento. Eu preciso passar tempo com Cristo.” O que aconteceu em seguida me chocou. A igreja inteira levantou e aplaudiu! Parece que eles queriam um pastor que gastasse mais tempo com Deus! Estavam cansados de um pastor cansado.

À medida que nos aproximamos dos dias quando haverá uma liberação sem precedente da presença dele na terra, nossa atividade primordial será ministrar a Cristo. Obviamente as pressões aumentarão muito. Também haverá tempos de grande colheita e atividade espiritual. Mas, independentemente das circunstâncias que nos cercam, em primeiro lugar temos que nos posicionar continuamente na presença de Deus. Pois perder nosso tempo com Jesus é perder a sua glória no dia da sua presença.  

Texto de Francis Frangipane. Extraído de Revista Impacto